quarta-feira, 23 de março de 2011

Proposta do PPS para reforma política é ampla e consensual, avaliam dirigentes

A proposta de reforma política que será apresentada pelo PPS durante as discussões da matéria no Congresso Nacional não foi alvo de grandes resistências durante reunião da Executiva e da bancada federal, nesta terça-feira (22), na Câmara dos Deputados. O anteprojeto, elaborado por Caetano Araújo, da Executiva Nacional, foi elogiado pelos presentes e deverá ser apresentado pelo deputado Sandro Alex (PR), que é o representante do partido na Comissão da Reforma Política da Câmara.

O deputado federal Arnaldo Jordy (PA) disse que a iniciativa do PPS demonstra a “unidade” do partido em torno do tema e o diferencia das demais legendas por apresentar uma sinalização muito clara de que quer reformar no sistema político-partidário.

“É o primeiro e um dos poucos partidos políticos que, neste momento, consegue ter unidade no sentido de sair para o debate com a sociedade, com as instituições e com outros partidos. Tudo isso com uma ideia mais ou menos formatada”, afirmou o deputado paraense.

Na mesma linha opinou o deputado federal Moreira Mendes (RO). "Vamos dar o exemplo, saindo na frente. Isto é muito importante e quanto antes definirmos isto para dar publicidade ao pensamento do PPS será muito bom para todos nós. Estou de acordo com tudo aquilo que foi discutido na bancada".

Já Tereza Vitale, integrante da Executiva Nacional, propôs que o partido introduza em seu projeto mecanismo que garanta alternância de gênero na elaboração da lista que será encaminhada pelos partidos para a disputa eleitoral. O PPS defende o sistema distrital misto, ou seja, candidatos que disputem uma campanha por meio de lista fechada e outros que busquem votos nos chamados distritos.

Em relação a este ponto da proposta, Dina Lida, também da Executiva Nacional, fez um alerta. Argumentou que no Japão, onde se adota o voto misto, os pequenos partidos diminuíram sua representatividade.

“Há uma queda muito grande de votos. No Japão, o PC tem 10% votos no país e o tamanho da Câmara deles é equivalente à nossa e eles só elegem 7 ou 8 deputados. Então a questão da proporcionalidade é muito violenta”, assinalou.

Na visão de Caetano Araújo, é por meio do sistema misto de votação que os partidos pequenos terão oportunidade de concorrer em duas listas (pelo distrito e por meio da pré-ordenada). Por sua vez, citou o caso da Alemanha.

“O sistema misto cria partidos mais fortes. Vejo que nosso projeto tem espaço para trabalharmos uma ação reformista ampla, bandeira histórica do partido”, ressaltou o Araújo.

O deputado federal Stepan Nercessian (RJ) relatou que, numa proposta desta envergadura, devem ser observadas questões que melhorem o sistema como um todo e não algo que beneficie um ou outro partido.

“Qualquer proposta nesta reforma tem que haver uma perspectiva de grandeza, e nós vamos ter que descobrir os nossos caminhos”, disse.

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